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Published on by Nuri Shahzad

O Estágio de Mariana Coelho na Focus BC

Mariana Coelho partilha o seu estágio na Focus BC, com demos do Virtual Venue, investigação e operações reais de eventos.

Os estágios são o momento em que as ideias começam a tornar-se reais. São uma oportunidade para ir além das aulas e da teoria, assumir responsabilidades com impacto e perceber como tudo se liga num contexto profissional.

Durante o seu estágio na Focus BC, Mariana Coelho teve precisamente essa oportunidade. Com um forte interesse pelo desporto e pelas operações de eventos, Mariana juntou-se à equipa para apoiar o desenvolvimento do Virtual Venue, a nossa plataforma de gestão de eventos e operações de recintos para grandes eventos desportivos.

Mulher com cabelo castanho comprido e óculos, sentada num banco preto almofadado feito de paletes de madeira, a sorrir enquanto segura uma bola de futebol castanha e dourada, com duas bolas coloridas atrás e pinturas abstratas na parede.
Mariana Coelho na sala de Mapify na Focus BC

Durante a sua experiência connosco, trabalhou em demos para diferentes modalidades e formatos de eventos, ajudando-nos a demonstrar como o Virtual Venue pode apoiar uma variedade mais alargada de cenários para além do futebol. Desde a investigação sobre a lógica operacional de modalidades como golfe, râguebi, críquete e Fórmula 1 até à criação de demos para apoiar apresentações comerciais, o estágio da Mariana foi uma combinação de análise, criatividade e melhoria contínua. Nesta entrevista, Mariana partilha o que a levou até à Focus BC, os desafios que encontrou, o que aprendeu ao longo do percurso e o que leva consigo para a próxima etapa profissional.

1. O que te motivou a candidatar-te a um estágio na Focus BC e quais eram as tuas expectativas?

Sendo completamente honesta, o estágio surgiu inicialmente de uma necessidade prática: precisava de realizar um estágio para concluir o meu mestrado. A Focus BC apareceu através de contactos pessoais e não através de uma procura tradicional de emprego. O que me chamou imediatamente a atenção foi a ligação ao desporto, especialmente através do Virtual Venue, que acabou por ser o produto com o qual trabalhei mais diretamente.

Nunca tinha encontrado um produto deste género. Sabia que existiam empresas ligadas à cartografia, mas nunca tinha visto uma plataforma como o Virtual Venue aplicada a recintos desportivos e operações de eventos de forma tão prática. Durante a licenciatura tive uma cadeira inteiramente dedicada à gestão de recintos e eventos desportivos, mas era tudo muito teórico. Ver um produto como este permitiu-me ligar esse conhecimento a algo concreto. Essa foi provavelmente a parte mais entusiasmante para mim.

Sempre quis trabalhar em eventos desportivos, e este estágio deu-me a oportunidade de perceber não apenas o evento em si, mas também todos os bastidores que precisam de funcionar em conjunto para que tudo aconteça. Era um mundo cuja dimensão eu não conhecia desta forma, e isso despertou ainda mais a minha curiosidade sobre o pensamento por detrás da criação de um produto como o Virtual Venue.

2. Como era uma semana típica para ti na Focus BC e como organizavas o teu trabalho?

As minhas semanas nem sempre eram iguais, especialmente no início. Na primeira fase do estágio, grande parte do meu tempo foi dedicada à investigação. O primeiro desafio foi perceber que modalidades fazia sentido explorar e porquê. Isso significou analisar desportos coletivos, modalidades individuais, contextos multidesportivos como os Jogos Olímpicos e até modalidades em crescimento internacional.

Essa primeira fase foi muito analítica. Depois, à medida que fui ganhando mais familiaridade com a plataforma, o meu trabalho passou a focar-se mais na criação de demos dentro do Virtual Venue. Nessa altura, uma semana mais típica envolvia normalmente começar uma nova demo ou melhorar alguma em que já estivesse a trabalhar.

Sandro Batista, Managing Partner
Foi um verdadeiro prazer trabalhar com a Mariana. Vindo de uma área mais ligada ao negócio e entrando num ambiente altamente técnico como o Virtual Venue, conseguiu rapidamente encontrar formas de ligar os dois mundos. Isso ajudou-nos a explorar novas ideias em diferentes modalidades e contextos de eventos, trazendo também uma perspetiva fresca para a equipa. Agora aproxima-se mais das operações de eventos ao vivo e estou confiante de que irá aplicar tudo o que aprendeu aqui da melhor forma.
Sandro Batista, Managing PartnerFocus BC

Sempre que iniciava uma nova demo, alinhava primeiro com o Sandro Batista, Managing Partner, e com a Cristina Gordo, GIS Specialist, para perceber a direção pretendida, a modalidade em questão e o que fazia sentido incluir. A Cristina também me apoiava com os ficheiros CAD e ajudava-me a perceber o que era possível fazer e o que seria mais útil em cada caso. A partir daí, trabalhava de forma bastante autónoma, construindo a demo, testando ideias, colocando questões quando necessário e melhorando continuamente o que já tinha sido desenvolvido.

3. Qual foi a parte mais desafiante do estágio e como lidaste com isso?

Acho que a parte mais desafiante foi construir as primeiras demos reais. A primeira acabou por ser um pouco mais fácil porque tinha algum material de referência para me orientar, o que me permitiu seguir uma lógica já existente. Depois disso, o verdadeiro desafio passou a ser criar demos para modalidades ou recintos com muito pouca informação disponível e, em alguns casos, para locais que nunca visitei e que não conseguia visualizar espacialmente com facilidade.

Essa foi provavelmente a parte mais difícil: tentar criar algo realista sem conhecer totalmente o funcionamento do espaço na prática. O Google Maps ajudava por vezes, mas nem sempre fornece detalhe suficiente sobre os interiores. Por isso, muito do trabalho passou por uma análise crítica: encontrar referências úteis, filtrar grandes quantidades de informação e fazer suposições fundamentadas sobre o que deveria ser incluído.

Foi muito um processo de melhoria contínua. Cada nova demo ajudava-me a pensar de forma mais clara sobre que tipos de espaços, salas, fluxos e áreas operacionais poderiam também fazer sentido noutros contextos. Mesmo quando as modalidades eram muito diferentes, existiam padrões que conseguia aproveitar. Com o tempo, fui ganhando muito mais confiança para adaptar esse conhecimento e construir a partir dele.

4. Qual foi o momento em que sentiste que estavas realmente a contribuir para a equipa ou para a empresa?

Provavelmente no final do estágio. Como o meu trabalho envolvia desenvolver demos ao longo do tempo, nem sempre era fácil perceber o impacto imediato enquanto ainda estava a trabalhar nelas e a melhorá-las.

Mas no meu último dia, o Mário Sobral, Technical Manager do Virtual Venue, disse-me que tinha utilizado uma das minhas demos numa reunião com a Major League Cricket e que o cliente tinha percebido imediatamente o conceito e reagido de forma muito positiva. Isso deixou-me muito feliz. Foi o momento em que percebi que o trabalho que tinha vindo a fazer não era apenas um exercício interno, mas algo que estava a ser utilizado em conversas reais para comunicar o valor da plataforma.

Também senti isso quando comecei a apresentar mais demos e a receber feedback do Mário, especialmente porque ele tem um conhecimento muito forte sobre contextos desportivos. Foi aí que senti verdadeiramente que tinha feito um trabalho relevante.

Cristina Gordo, GIS Specialist
Trabalhar com a Mariana foi uma excelente experiência. Demonstrou sempre muita curiosidade e uma forte capacidade analítica, procurando perceber como cada demo poderia ter impacto junto do cliente final. Teve também uma clara capacidade de se colocar na perspetiva do utilizador, garantindo que aquilo que estávamos a construir fazia sentido e estava alinhado com a realidade de cada modalidade. A Mariana revelou-se proativa, autónoma e sempre à procura de formas de acrescentar valor.
Cristina Gordo, GIS SpecialistFocus BC

5. Quando exploraste modalidades como golfe, râguebi, críquete ou Fórmula 1, quais foram as diferenças operacionais mais interessantes que descobriste e como isso influenciou a criação das demos?

Uma das coisas mais interessantes foi perceber como a lógica operacional pode ser completamente diferente de uma modalidade para outra. O râguebi e o críquete, por exemplo, ainda seguem uma lógica de estádio, por isso existiam algumas semelhanças que consegui aproveitar. Comecei pelo râguebi, onde tinha bastante informação disponível, e isso facilitou depois a adaptação de alguns conceitos ao trabalhar no críquete.

A Fórmula 1 foi um caso totalmente diferente. Em vez de pensar num estádio com vários pisos e salas interiores, tive de pensar numa escala muito mais ampla e aberta, através de mapas satélite, circuitos, fan zones, parques de estacionamento, transportes, postos médicos e toda a infraestrutura envolvente. Nesse sentido, foi uma forma completamente diferente de construir.

No entanto, a Fórmula 1 também tinha muita informação pública disponível, o que ajudou bastante. Em circuitos como Silverstone existem mapas muito detalhados para os fãs, com bancadas, instalações, entradas, saídas, zonas de hospitalidade e muito mais. Isso deu-me uma base muito forte para trabalhar. Jeddah foi especialmente interessante porque é um circuito urbano criado especificamente para o evento, o que acrescenta outra camada de complexidade. Fez-me pensar não apenas no recinto em si, mas também nas estruturas temporárias, no planeamento específico do evento e em tudo aquilo que é criado apenas para aquela ocasião.

Tudo isso influenciou a forma como construí as demos. Passei a pensar menos em copiar estruturas e mais em compreender a realidade operacional de cada modalidade.

6. Qual é a demo de que mais te orgulhas e porquê?

Provavelmente a demo de Fórmula 1. Tinha tanta informação disponível que acabou por se tornar um dos exemplos mais claros da quantidade de detalhe que é possível apresentar dentro do Virtual Venue.

Permitiu-me destacar diferentes camadas: bancadas, garagens, acessos, zonas de segurança e controlo, áreas de fãs, espaços para concertos, estacionamento, serviços de shuttle, zonas de alimentação e muito mais. No conjunto, criou uma visão muito completa sobre a forma como um evento de grande dimensão pode ser estruturado e compreendido espacialmente.

Acho que é isso que torna esta demo uma história tão forte para mostrar a alguém que vê o Virtual Venue pela primeira vez. É muito visual, por isso é fácil perceber rapidamente como a plataforma ajuda a organizar e comunicar ambientes operacionais complexos. Mostra o detalhe, a flexibilidade e o valor prático da plataforma de uma forma muito clara.

Ainda assim, também acho que uma demo de um estádio de râguebi pode ser muito interessante, especialmente porque demonstra a lógica operacional de um recinto mais tradicional distribuído por vários pisos. Mas se tivesse de escolher apenas uma demo que realmente dá vida à plataforma, escolheria a Fórmula 1.

7. O que achas que gera mais fricção no planeamento de eventos e operações de recintos e como pode o Virtual Venue ajudar?

Grande parte da fricção surge porque diferentes equipas precisam de diferentes tipos de informação, muitas vezes sobre o mesmo recinto, mas a partir de perspetivas completamente distintas.

Uma pessoa da área de segurança pode precisar apenas de focar-se em acessos, controlo perimetral, gestão de multidões ou fluxos de filas. Já alguém da hospitalidade estará mais focado em salas VIP e áreas para convidados. Num recinto grande, com vários pisos e múltiplas áreas funcionais, torna-se muito difícil manter todas as equipas alinhadas sem uma referência visual partilhada.

É aí que o Virtual Venue se torna útil. A plataforma ajuda a centralizar a informação num único local e facilita o trabalho das diferentes equipas dentro do mesmo ambiente, mantendo o foco naquilo que é mais relevante para cada uma. Em recintos com muitos níveis, zonas e responsabilidades sobrepostas, essa estrutura comum pode tornar o planeamento e a coordenação muito mais simples.

Mariana Coelho, Intern
Foi nesse momento que percebi que o trabalho que tinha vindo a desenvolver não era apenas um exercício interno, mas algo que estava efetivamente a ser utilizado em conversas reais para ajudar a comunicar o valor da plataforma.
Mariana Coelho, InternFocus BC

8. Qual foi a principal aprendizagem do estágio que mudou a tua forma de olhar para eventos desportivos ou operações?

O que mais mudou para mim foi perceber o quão complexas são realmente as operações de eventos desportivos. Já sabia, em teoria, que estes eventos exigem muito planeamento. Mas quando começamos a trabalhar nos detalhes, mesmo apenas no processo de criação de uma demo, percebemos quantas peças existem em movimento. Existem timelines, equipas, dependências, checklists, alterações, comunicações e inúmeros pequenos detalhes operacionais que precisam de estar todos ligados corretamente.

Na universidade fala-se muito do processo global, das candidaturas, das estruturas organizativas e do evento numa perspetiva estratégica. Mas entrar no detalhe operacional é algo completamente diferente. Este estágio deu-me uma visão muito mais clara daquilo que é realmente necessário para gerir um recinto ou um evento ao vivo com sucesso, e foi sem dúvida uma experiência muito reveladora.

Focus BC during a daily meeting

9. Olhando para o teu próximo desafio profissional, o que levas contigo da Focus BC?

O que levo mais comigo é uma compreensão muito mais forte da complexidade por detrás do planeamento e operações de eventos, especialmente através da perspetiva do Virtual Venue.

Ao entrar agora na minha próxima função no Sporting Clube de Portugal, onde vou trabalhar mais diretamente com operações de dia de jogo e planeamento de eventos ao vivo, sei que esta experiência me deu uma base muito mais sólida. Também reforçou a importância da melhoria contínua: construir algo, analisá-lo criticamente, melhorá-lo e aprender ao longo do processo.

Essa mentalidade é algo que vou certamente levar comigo.

10. Se só pudesses assistir a um evento ao vivo este ano, futebol, ténis ou Fórmula 1, qual escolherias?

Escolheria a celebração do título do Sporting CP. Lembro-me muito bem do que aconteceu há dois anos quando o Sporting foi campeão nacional. As pessoas estavam prontas para celebrar imediatamente e eu fiquei fascinada com a forma como algo assim é planeado quando ninguém sabe ao certo se o título será conquistado naquele dia. Na altura ainda nem tinha começado o mestrado, mas já estava impressionada com toda a logística e coordenação necessárias para um evento deste género.


O percurso da Mariana na Focus BC foi uma combinação muito positiva de aprendizagem, curiosidade e contributo prático. Através do trabalho desenvolvido em novas demos e investigação de modalidades, ajudou-nos a pensar de forma mais abrangente sobre como o Virtual Venue pode ser aplicado em diferentes contextos de eventos, enquanto ganhava uma visão muito mais clara da complexidade por detrás das operações desportivas ao vivo.

Foi uma experiência valiosa para ambos os lados: uma oportunidade para a Mariana transformar teoria em prática e um contributo relevante para a forma como continuamos a explorar o potencial do Virtual Venue.

Frequently Asked Questions

Um estágio na Focus BC envolve trabalhar em projetos reais, incluindo desenvolvimento de produto, investigação e operações.

O Virtual Venue é uma plataforma da Focus BC para planeamento e operações de eventos, utilizada por organizações como UEFA, FIFA e FIBA.

Pensamento analítico, atenção ao detalhe e capacidade de lidar com ambientes operacionais complexos.

Centraliza informação e permite colaboração em tempo real entre equipas.

Procuras um estágio onde possas aprender fazendo? Estamos sempre abertos a candidaturas espontâneas de pessoas que queiram fazer parte do que estamos a construir na Focus BC.